Filha, quando estou contigo tento prestar atenção em tudo, nas cores do lugar, na temperatura do ambiente, no cheiro... Quero guardar cada momento e ter seus detalhes bem nítidos em minha memória . Sei contar do teu parto com clareza, lembro da noite antes, da minha surpreendente coragem, do teu pai arrumando a minha roupa cirúrgica, e do nervosismo dele que me fez vestir a frente pras costas.
Não preciso ver em foto alguma, pra saber descrever tua cara engraçada de fome quando bebê. Sei o cheiro exato dos teus primeiros dias de vida, lembro com detalhes de como foi cada acidente teu, e quando tu me pedires pra falar como apareceu aquela cicatriz no joelho, não periga eu te deixar na mão.
Desde teu 1 ano, tornou-se comum tu tirar uma soneca em cima de mim, deitadas no sofá, e eu fico lá, com o nariz grudado na tua cabeça, decorando direitinho teu cheiro, sentindo o teu cabelo e a teimosia deles, a tua inquietude... Certamente quando tu perderes esse hábito eu sentirei falta, mas vou poder fechar os olhos e saber exatamente que sabor que tinha.
Acho que é meu jeito de te deixar crescer, de soltar tua mão sem medo, porque cada pedacinho vai ficando aqui, dentro de mim, pelo tempo que eu quiser/precisar [pra sempre].
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